O que você carrega na sua bolsa? (02/03/2017)

Antes de iniciar um trabalho, eu costumo fazer uma visita para conhecer o(a) cliente, conhecer o espaço/trabalho, etc.

Cada cliente, uma nova entrevista. A maioria quer saber com quem já trabalhei; o que já fiz: curiosidades da profissão. De um modo geral, todos (as) querem saber quem é essa pessoa que vai entrar em sua casa e mexer nas suas coisas.

Me surpreendeu uma cliente que pediu para olhar o conteúdo da minha bolsa. Ela disse:

– Posso ver o que você carrega na sua bolsa?

Nunca imaginei passar por uma situação dessas. E com muito prazer, mostrei a ela a minha bolsa.

Conversamos sobre cada item que eu carregava e porque carregava.

No final da conversa, eu perguntei:

– Posso ver o que você carrega na sua bolsa?

Aí sim foi muito divertido.

Meu primeiro trabalho para essa cliente, eu fiz ali, sentada no sofá.

Então: “Posso ver o que você carrega na sua bolsa?”……

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Pregos, porcas e parafusos (01/02/2017)

Quem não tem em casa uns pregos, parafusos, porcas, buchas, arruelas, percevejos e demais miudezas? Como organizar é a pergunta mais frequente. Visitando a casa de uns amigos queridos, descobrimos essa preciosidade. Eles têm um armário e esses itens são organizados assim: em potes de vidro. Que marravilha!

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Os objetos ganham significados nos momentos difíceis (14/01/2017)

“As culturas que sofrem mais perdas tinham mais tótens (da série The O.A.)”. Quando a personagem fala isso na série, percebi que esse é o significado da acumulação de itens em nossas casas. Mas nem só de tristeza guardamos coisas, itens que nos arremetem a momentos felizes também fazem parte do nosso dia a dia. O que precisamos “cuidar” é da quantidade de coisas que precisamos ter para que o nosso “momento feliz” precise ser lembrado. Através dessa reflexão também vou citar um trecho do livro ” Manual de Limpeza de um Monge Budista”: Desapegue e terá o universo.

Cuidar das coisas dos outros (05/07/2016)

Quando um cliente resolve que precisa dar um rumo na sua vida e a organização precisa fazer parte da vida dela a partir de agora, não significa que o organizador tem carta branca para adentrar no local e jogar tudo fora. Quem pensa que jogar fora (descartar) é a parte mais fácil do trabalho, está redondamente enganado.

O organizador precisa estar preparado para o cliente, porque o cliente não está preparado para o organizador.

Ajudar o cliente a garimpar lembranças, é fazer um turismo pela vida dele(a).

Muitos ao pegar certos objetos compartilham com o organizador alguma memória acerca daquele objeto/foto/roupa…

Às vezes o cliente precisa de um tempo para continuar a mexer nas coisas, precisa de fôlego.

São horas intermináveis de memórias e lembranças boas/ruins que precisam ser remexidas. Isso não é fácil para ninguém, nem para o organizador que precisa entender de sentimentos alheios e contornar. Contornar as lágrimas dos clientes, o desabafo e se tornar uma testemunha invisível e guardar essas lembranças a sete chaves.

Sempre quis entender o quanto dessa invasão influenciava a vida do cliente, o quanto isso fazia diferença.

É mais do que colocar coisas em ordem, etiquetas, caixas.

É mais que fazer dobras perfeitas, colocar roupas em cabides e em ordem de cor.

“…quando estou organizando minhas coisas, entro numa comunhão silenciosa comigo mesma.”[1] Essa não é uma decisão muito fácil de se tomar. Entrar em comunhão consigo mesma pode significar reencontrar ou revivenciar coisas das quais a gente queria esquecer, mas então porque guardamos?

Guardamos porque ela tem uma carga sentimental muito forte. Não pode ser simplesmente jogada fora. Mas por quanto tempo guardar então?

Algumas coisas não passam nunca, outras no entanto, nem vamos nos lembrar porque existiram.

Aí está a diferença, o que eu escolho de verdade para ocupar um lugar numa caixa ou gaveta? Coisas que realmente farão diferença quando eu as vir.

[1] A Mágica da arrumação – Marie Kondo – Editora Sextante